Suplementação de EPA nas doenças autoimunes

Os ácidos graxos poliinsaturados ômega-3 incluem o ácido eicosapentaenóico (EPA) e ácido docosahexaenóico (DHA). Esses nutrientes essenciais para a saúde humana exercem múltiplos efeitos benéficos em várias patologias, inclusive em doenças autoimunes (THÉRIEN et al., 2021).

Eles são bem conhecidos pelas suas propriedades anti-inflamatórias, como:

– Aumento da produção de moléculas anti-inflamatórias (eicosanóides, endocanabinóides, resolvinas e protectinas);

– Inibição da produção de citocinas;

– Redução da ativação de NF-κB;

– Regulação de adesão de moléculas na adesão de superfície;

– Diminuição da quimiotaxia de leucócitos;

– Redução na reatividade das células T.

Fonte: Thérien et al. (2021).

Dentre as doenças autoimunes, o lúpus eritematoso sistêmico (LES) é causado por fatores genéticos e ambientais, acomete múltiplos órgãos e se caracteriza pela produção de autoanticorpos. Pacientes com LES apresentam risco aumentado de morbidade e mortalidade por aterosclerose, visto que 36% dos pacientes recém diagnosticados têm hipercolesterolemia (KOBAYASHI et al., 2021).

A artrite reumatoide (AR) é a doença articular autoimune crônica mais comum. É caracterizada por inflamação das articulações sinoviais levando a deformidade e dano articular irreversível, podendo resultar em incapacidade grave. Na Dinamarca, por exemplo, a taxa de incidência de AR de 1996 a 2016 foi relatada em 35 por 100.000 pessoas-ano. A incidência em mulheres foi duas vezes maior do que em homens, sendo que o pico na taxa de incidência ocorreu entre 70 e 74 anos em ambos os sexos (SOUSSI et al., 2021).

Ação do EPA no Lúpus Erimatoso Sistêmico (LES)

No estudo de Kobayashi et al. (2021), foi examinado o efeito de EPA na patologia do lúpus em camundongos induzidos por drogas e espontâneos. Os resultados mostraram que a suplementação dietética de EPA melhorou as manifestações características do lúpus, como produção de autoanticorpos e deposição de imunocomplexos nos rins. As análises das membranas celulares revelaram que o EPA parece remodelar a composição lipídica e a fluidez das membranas das células B, impedindo assim a diferenciação de células B em células plasmáticas produtoras de autoanticorpos.

EPA na artrite reumatoide (AR)

Na revisão de Soussi et al. (2021) os autores apontam que a ingestão de ômega-3, inclusive EPA, de mais de 0,21g/dia foi associado a menor risco de AR em comparação com aqueles que ingeriram menores quantidades. Além disso, seu consumo está associado com redução das dores devido a inativação de vias pró-inflamatórias e, consequentemente, diminuição de citocinas inflamatórias.

Referência

THÉRIEN, Ariane et al. Omega-3 Polyunsaturated Fatty Acid: a pharmaco-nutraceutical approach to improve the responsiveness to ursodeoxycholic acid. Nutrients. Canadá, p. 1-14. 29 jul. 2021.

KOBAYASHI, Azusa et al. Dietary Supplementation With Eicosapentaenoic Acid Inhibits Plasma Cell Differentiation and Attenuates Lupus Autoimmunity. Front Immunol. Itália, p. 1-16. 15 jun. 2021. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34211460/. Acesso em: 12 abr. 2022.

SOUSSI, Bolette Gylden et al. Intake of marine n-3 polyunsaturated fatty acids and the risk of rheumatoid arthritis: protocol for a cohort study using data from the danish diet, cancer and health cohort and danish health registers. Bmj Open. Dinamarca, p. 1-6. 4 out. 2021. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34607859/. Acesso em: 12 abr. 2022.

Editoria Biobalance

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