Ômega-3 e imunidade – tem relação?

Durante esse período de pandemia, a atenção à imunidade é redobrada para que sejam evitadas infecções oportunistas causadas pela queda na resistência do organismo. Atividade física e alimentação regrada são essenciais, mas não se deve deixar de lado a suplementação com nutrientes essenciais para o sistema imunológico, garantindo o equilíbrio do organismo e a preservação da saúde.

Dentre esses suplementos, os ômega-3 merecem destaque, já que exercem diversos efeitos protetores nas defesas imunológicas. A Organização Mundial da Saúde recomenda a ingestão de pelo menos 2 porções de peixe por semana, para garantir o aporte adequado de EPA e DHA, porém, grande parte da população não atende essas recomendações e, assim, o uso de suplementos alimentares pode ser indicado. Tur et al (2012) conduziram uma revisão sistemática avaliando as fontes alimentares de ômega-3 e consideraram seguro e eficaz o uso diário de cápsulas de óleo de peixe, para aumento da concentração desses ácidos graxos poli-insaturados no sangue, promovendo diversos benefícios metabólicos, como redução da inflamação e de marcadores de risco cardiovascular.

O processo inflamatório é uma resposta de defesa a um trauma ou a infecções de patógenos, sendo iniciado com a finalidade de extinguir o estímulo que a desencadeou ou para remover um dano tissular. Na resposta inflamatória são ativadas as células de defesa, como macrófagos, além de liberação de mediadores químicos, radicais livres, moléculas de adesão e citocinas pró-inflamatórias, sendo os ômega-3 cruciais para a produção dos mediadores anti-inflamatórios essenciais. Se os danos teciduais são de proporções que as células podem recuperar suas funções normais, dá-se o nome ao processo de resolução. No entanto, muitas vezes a lesão ou infecção persiste, e os mecanismos de cicatrização não se completam, havendo apoptose e morte do tecido.

Os metabólitos produzidos no organismo a partir dos ômega-3 são importantes reguladores da resposta inflamatória, sendo conhecidos como mediadores de pró-resolução. Podem ser classificados em diferentes famílias, como prostaglandinas, leucotrienos, tromboxanos, maresinas, protectinas e resolvinas. Além disso, através da suplementação com ômega-3 observa-se um aumento na sua incorporação nas membranas celulares, o que melhora a sinalização intercelular, além de ter-se observado melhora na síntese de ceramidas e da barreira cutânea, reduzindo os quadros de alergia.

O papel dos ômega-3 EPA e DHA nas células de defesa é extenso, atuando tanto nas que estão envolvidas no sistema inato, quanto no adaptativo:

 

· Macrófagos: influenciam na regulação gênica, atuam na produção de citocinas, aumenta a expressão do fenótipo M2 e aumentam a fagocitose;

· Neutrófilos: reduzem a migração deles para o local de infecção ou lesão, auxiliando na redução do processo inflamatório, aumentam a produção de mediadores de pró-resolução, estimulam a fagocitose e equilibram a produção de espécies reativas do oxigênio;

· Eosinófilos: reduzem a infiltração dessas células;

· Basófilos: diminuem a ativação;

· Células dendríticas: reduzem a apresentação de antígenos;

· Células natural killers: equilibram a ativação;

· Mastócitos: diminuem a ativação;

· Células T: reduzem a ativação;

· Células T regulatórias: aumentam a diferenciação.

Ainda há o efeito exercido pelo ômega-3 na microbiota intestinal, que tem associação direta com a imunidade. Esses ácidos graxos poli-insaturados melhoram a composição desse microambiente, aumentando a produção de substâncias anti-inflamatórias e de ácidos graxos de cadeia curta (AGCC), mantendo a integridade da barreira intestinal e interagindo com as células imunológicas do hospedeiro. (Constantini et al., 2017).

Feijó et al. (2018) conduziram um estudo randomizado e controlado em 68 pacientes com câncer gástrico, avaliando os efeitos da suplementação com ômega-3 no estado nutricional, imunológico e no perfil inflamatório. Os participantes foram divididos em dois grupos, com amostra total de 34 e indivíduos em cada um, sendo que o estudo durou 30 dias. Após esse intervalo, o grupo que recebeu a fórmula enriquecida com ômega-3, teve aumento do ganho de peso, redução do perfil inflamatório e manutenção do perfil imune.

Dessa forma, a suplementação com ômega-3 torna-se um importante coadjuvante na prevenção e suavização dos quadros inflamatórios num eventual contágio. Recomenda-se a escolha do ômega-3 de alta qualidade e concentração, de preferência em cápsulas gastrorresistentes que ajudam a melhorar sua aceitação e consumo o dia a dia, sem efeitos colaterais.

Referências

 

TUR, J.A. et al. Dietary sources of omega 3 fatty acids: public health risks and benefits. British Journal of Nutrition, v. 107, p. S23-S52, 2012.

GERBER, M. Omega-3 fatty acids and cancers: a systematic update review of epidemiological studies. British Journal of Nutrition, v. 107, p. S228-S239, 2012.

BARBALHO, S.M. et al. Papel dos ácidos g pel dos ácidos graxos ômega 3 na resolução dos processos inflamatórios. Revista da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, v. 44, n. 3, p.234-40, 2011.

GUTIÉRREZ, S. et al. Effects of Omega-3 Fatty Acids on Immune Cells. International Journal of Molecular Sciences, v. 20, n. 20, 2018.

CONSTATINI, L. et al. Impact of Omega-3 Fatty Acids on the Gut Microbiota. International Journal of Molecular Sciences, v. 18, n. 12, p. 2645, 2018.

FEIJÓ, P.M. et al. Effects of ω-3 Supplementation on the Nutritional Status, Immune, and Inflammatory Profiles of Gastric Cancer Patients: A Randomized Controlled Trial. Nutrition, v. 61, p. 125-131, 2018.

Editoria Biobalance

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