Obesidade e ômega-3: entenda como o manejo dietético desse ácido graxo pode ser benéfico

Compostos bioativos, como os ácidos graxos poli-insaturados ômega-3 (n-3 PUFAs), incluindo ácido alfalinolênico, ácido docosapentaenoico e ácido eicosapentaenoico, têm sido estudados por seus potenciais benefícios à saúde em relação à prevenção de doenças crônicas, como câncer e doenças inflamatórias, cardiovasculares e metabólicas (D’ANGELO et al., 2020).

Inflamação crônica de baixo grau

Segundo Hutchinson et al. (2020), a inflamação aguda é uma parte normal da resposta imunológica, no entanto pode ser causada por episódios recorrentes de inflamação aguda, distúrbios autoimunes, exposição ambiental e defeitos no funcionamento das células imunes. Esta inflamação de baixo grau está associada a processos inflamatórios que duram um longo período e podem acarretar risco de desencadeamento de uma variedade de doenças, por exemplo, obesidade, neurodegeneração e diabetes tipo 2 (HUTCHINSON et al., 2020).

A patogênese da obesidade é multifatorial, sendo caracterizada através da inflamação crônica de baixo grau, principalmente devido a um desequilíbrio entre a produção/secreção de citocinas pró-inflamatórias versus citocinas anti-inflamatórias (D’ANGELO et al., 2020).

Manejo dietético na obesidade

De acordo com D’Angelo et al. (2020), a obesidade representa um grande desafio para a saúde, essa síndrome é uma condição complexa que envolve fatores sociais, biológicos e psicossociais e pode aumentar substancialmente o risco de outras comorbidades. Intervenções dietéticas usando compostos alimentares bioativos naturais surgiram como ferramentas terapêuticas promissoras para doenças metabólicas.

A composição da dieta pode afetar as funções metabólicas e endócrinas e o balanço energético geral, uma alimentação rica em frutas e vegetais que possuem menor densidade calórica e maior densidade de nutrientes proporcionam benefícios na prevenção/limitação da obesidade (D’ANGELO et al., 2020).

Manejo dietético de ômega-3

Os ácidos graxos poli-insaturados ômega-3 surgiram como um nutriente potencialmente protetor contra os riscos cardiometabólicos associados à obesidade. Em adultos com o IMC elevado, tem sido associado o baixo status de ômega-3 (D’ANGELO et al., 2020).

Young et al. (2020) relatam que, em humanos, a síntese de n-3 PUFAs não pode ocorrer endogenamente e há pouca conversão de ácidos graxos de origem, portanto, o ômega-3 é um componente importante da dieta humana. Eles desempenham papéis fundamentais no crescimento e desenvolvimento, bem como na manutenção da saúde.

O EPA e o DHA, por exemplo, têm propriedades anti-inflamatórias que podem auxiliar na redução da síndrome metabólica e demonstraram reduzir consistentemente a proteína C reativa (HUTCHINSON et al., 2020). A ingestão de ácidos graxos mostrou influenciar a composição de fosfolipídios na membrana celular; uma maior ingestão de n-3 PUFAs leva a uma maior proporção de ômega-3 na membrana celular.

Esse acúmulo é protetor contra doenças metabólicas, podendo alterar a função e o metabolismo da membrana celular e diminuir os marcadores inflamatórios circulatórios (YOUNG et al., 2020).

REFERÊNCIAS

HUTCHINSON, Ashley N.; TINGÖ, Lina; BRUMMER, Robert Jan. The Potential Effects of Probiotics and ω-3 Fatty Acids on Chronic Low-Grade Inflammation. Nutrients, [S.L.], v. 12, n. 8, p. 2402, 11 ago. 2020. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32796608/. Acesso em: 4 jul. 2022.

D’ANGELO, Stefania; MOTTI, Maria Letizia; MECCARIELLO, Rosaria. ω-3 and ω-6 Polyunsaturated Fatty Acids, Obesity and Cancer. Nutrients, [S.L.], v. 12, n. 9, p. 2751, 10 set. 2020. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32927614/. Acesso em: 4 jul. 2022.

YOUNG, Isabel E.; et al. Association between Obesity and Omega-3 Status in Healthy Young Women. Nutrients, [S.L.], v. 12, n. 5, p. 1480, 20 maio 2020. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32443667/. Acesso em: 4 jul. 2022.

Editoria Biobalance

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