Metainflamação, obesidade e risco cardiometabólico: um olhar para o ômega-3

A obesidade é caracterizada pelo acúmulo excessivo de tecido adiposo e está relacionada a maior risco de doenças metabólicas e outras comorbidades. O excesso de peso tem sido associado ao consumo elevado de energia, com prevalência de calorias vazias, açúcar, sódio, gorduras saturadas e trans; e aditivos artificiais (YOUNG et al., 2020).

O padrão de dieta ocidental é caracterizado pelo alto consumo de ácidos graxos saturados provenientes, principalmente, de alimentos de origem animal e aumentando o risco de obesidade e desenvolvimento de síndrome metabólica. Ao passo que o padrão de dieta mediterrânea, os ácidos graxos predominantes são os do grupo ômega-3 presentes em alimentos naturais como oleaginosas, sementes, abacate, azeite de oliva e peixes, como salmão (YOUNG et al.; 2020).

Dentre os ácidos graxos da família ômega-3, o ácido docosahexaenóico (DHA) e ácido o eicosapentaenoico (EPA) constituem um grupo de lipídios que exercem funções importantes no organismo, sendo incorporados aos fosfolipídios das membranas das células, otimizando suas funções biológicas (STEFANELLO1; PASQUALOTTI; PICHLER, 2020).

Relação do consumo de ômega-3 com a saúde

O consumo de ômega-3 está relacionado com vários benefícios à saúde, como melhora da síndrome metabólica, com redução da gordura visceral abdominal e resistência à insulina (RI). Também atua na prevenção de doenças cardiovasculares e no controle da inflamação devido seus efeitos relacionados com a diminuição da formação e liberação de eicosanoides inflamatórios, citocinas e espécies reativas de oxigênio (EROs) (STEFANELLO1; PASQUALOTTI; PICHLER, 2020).

Além disso, esses ácidos graxos aumentam a expressão de proteínas anti-inflamatórias, auxiliando na prevenção do declínio cognitivo com o processo de envelhecimento (STEFANELLO1; PASQUALOTTI; PICHLER, 2020).

Mecanismo do ômega-3 na lipogênese

A biossíntese do colesterol está entre as vias metabólicas mais afetadas observadas em camundongos obesos após a administração de ômega-3, segundo Mitrovic et al. (2022). A regulação negativa contribui de forma significativa com o efeito anti-esteatótico, visto que as vias da lipogênese são suprimidas, diminuindo o acúmulo de ácidos graxos no fígado.

Enzimas lipogênicas como como acetil-CoA carboxilase (ACC) e ácido graxo sintase também tiveram atividades reduzidas, auxiliando na diminuição da biossíntese do colesterol. Além disso, foi visto que EPA também teve ação na inibição de vias responsivas a carboidratos, potencializando a redução da formação endógena de colesterol (MITROVIC et al., 2022).

Efeitos do ômega-3 no intestino e seu impacto na inflamação

A obesidade está associada a modificações qualitativas e quantitativas da microbiota intestinal, podendo levar a disbiose, aumento da inflamação e da permeabilidade intestinal (MITROVIC et al., 2022).

A ingestão de ômega-3 está relacionada com redução da inflamação, fortalecimento da barreira intestinal, aumento da produção de ácidos graxos de cadeia curta pelas bactérias (AGCC) e diminuição dos níveis de endotoxinas sistêmicas em camundongos, conforme estudo de Mitrovic et al. (2022).

Os efeitos anti-inflamatórios podem ser mediados pela inibição do metabolismo da histidina no microbioma e no hospedeiro. EPA parece ser mais eficaz do que DHA em relação a efeitos anti-esteatóticos, visto que estimulou com mais intensidade a ativação de β-oxidação mediada por PPARα, diminuindo a esterificação e a síntese de ácidos graxos pelos hepatócitos. Portanto, suplementos com maiores teores de EPA podem ser coadjuvantes no manejo nutricional da obesidade (MITROVIC et al., 2022).

Prescrição nutricional de ômega-3 com efeito anti-inflamatório na obesidade

Em termos de benefícios para a saúde humana, doses diárias de 1 a 4g/dia de ômega-3 por pelo menos 1 mês podem ser adequadas para pacientes obesos, com foco em EPA (MITROVIC et al., 2022).

Referência

YOUNG, Isabel e et al. Association between Obesity and Omega-3 Status in Healthy Young Women. Nutrients. Austrália, p. 1-10. 20 maio 2020. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32443667/. Acesso em: 13 abr. 2022.

STEFANELLO1, Fhaira Petter da Silva; PASQUALOTTI, Adriano; PICHLER, Nadir Antonio. Análise do consumo de alimentos fontes de ômega 3 por participantes de grupos de convivências. Rev. Bras. Geriatr. Gerontol. Passo Fundo, p. 1-9. 27 mar. 2020. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbgg/a/nkdrMFdzyVQQDSSKfb4CYXM/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 13 abr. 2022.

MITROVIC, Marko et al. Omega-3 phospholipids and obesity-associated NAFLD: potential mechanisms and therapeutic perspectives. Eur J Clin Invest. Praga, p. 1-19. mar. 2022. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34291454/. Acesso em: 13 abr. 2022.

Editoria Biobalance

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