Câncer de próstata e diabetes mellitus tipo 2: entenda a relação

O câncer de próstata e o diabetes mellitus tipo 2 são duas das doenças crônicas mais comuns que atingem a população masculina (FENG et al., 2020).

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer, a estimativa de novos casos no Brasil, em 2020, foi de 65.840, assim, correspondendo a 29,2% dos tumores incidentes no sexo masculino, e o número de mortes foi de 15.841, o que corresponde a 13,5% da mortalidade nos homens.

Sobre o diabetes, o Brasil é o 6º país em incidência no mundo, com 15,7 milhões de doentes adultos (20 a 79 anos), perdendo apenas para a China, a Índia, os Estados Unidos, o Paquistão e a Indonésia. A estimativa da incidência da doença, em 2045, chega a 23,2 milhões, de acordo com dados citados no Atlas do Diabetes (2021), divulgado pela Federação Internacional de Diabetes (IDF).

Etiologia do Câncer de Próstata

Segundo Sousa et al. (2022), o processo de carcinogênese da próstata é complexo e multifatorial. Ele é causado por uma variedade de mutações e eventos carcinogênicos que constituem o foco multifatorial da doença, capaz de não apenas remodelar a atividade celular, mas também modelar vias metabólicas para permitir a adaptação às exigências nutricionais do tumor, criando um microambiente propício.

O câncer de próstata (CaP) é frequentemente diagnosticado de forma errada como hipertrofia prostática em seus estágios iniciais, quando os sintomas de ambos são micção frequente e difícil; bem como noctúria, que pode evoluir para os piores cenários, como desconforto nas costas com retenção de urina e, nos casos de CaP, progressão metastática ao osso. A dieta e a atividade física, bem como a localização do tumor no corpo, parecem ter impacto direto na sua progressão (SOUSA et al., 2022).

Etiologia e Implicações Metabólicas do Diabetes Mellitus

O diabetes mellitus (DM) pode ser caracterizado como uma descompensação metabólica que eleva os níveis de glicose no sangue, seja pela baixa ou inexistente produção de insulina pelas células β pancreáticas (tipo 1) ou pela resistência à insulina de receptores celulares que necessitam da absorção de glicose para os processos normais do metabolismo (SOUSA et al., 2022).

No diabetes mellitus tipo 2 (DM2), a hiperglicemia crônica não reduz devido à insensibilidade à insulina em outros tecidos, o que resulta em hiperinsulinemia, que pode causar falha não apenas das células β, mas em outros órgãos, bem como acarretar inflamação crônica (SOUSA et al., 2022).

Somadas à condição de resistência à insulina, as incretinas que estimulam a secreção de insulina parecem ser reguladas negativamente, resultando em um mecanismo conhecido como “efeito incretina”. Esse tipo de DM é considerado de alto risco, pois a hiperglicemia é um dos principais contribuintes para outras comorbidades que apresentam risco de vida, como o câncer (SOUSA et al., 2022).

Correlação entre Diabetes Mellitus e Neoplasia de próstata

Estudos recentes sugerem que pacientes com diabetes tipo 2 e síndrome metabólica (SM) são mais propensos a adquirir algumas neoplasias, como as do sistema gastrointestinal, mama, bexiga, endométrio e cólon, permitindo que elas cresçam e tornem-se mais agressivas (SOUSA et al., 2022).

O DM2 cria um microambiente com produtos de glicação elevados e hiperlipidemia, que podem promover o crescimento do tumor. A inflamação local crônica também é outra característica que relaciona o DM2 ao câncer, o que proporciona um ambiente ideal para a formação do câncer (SOUSA et al., 2022).

No entanto, os efeitos do DM2 não são relacionados de forma negativa a todos os tipos de câncer. De fato, ele tem sido descrito, principalmente por pesquisas epidemiológicas, como fator protetor contra o CaP, contudo, o fato de o DM2 estar comumente associado à SM e/ou obesidade sugere que essa infinidade de distúrbios metabólicos deve aumentar a agressividade do CaP (SOUSA et al., 2022).

O resultado desses dois mecanismos cria uma incoerência em relação ao câncer de próstata, DM2 e SM, em que o DM2 parece se correlacionar inversamente com a agressividade do CaP, e parece sobrepor o efeito do SM (SOUSA et al., 2022).

De acordo com Feng et al., (2020), um possível mecanismo para explicar a associação inversa entre diabetes e câncer de próstata é o ambiente relativamente deficiente de insulina no diabetes de longo prazo, resultando em níveis mais baixos de insulina plasmática (peptídeo C) e fator de crescimento semelhante à insulina-1 (IGF-1) em diabéticos em comparação com não diabéticos.

O que é uma constatação importante, já que estudos prospectivos mostram que níveis circulantes mais altos de IGF-1 estão associados a um risco aumentado de câncer de próstata, particularmente para a doença não agressiva e de baixo grau (FENG et al., 2020).

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REFERÊNCIAS

SOUSA, A. P. et al. The Impact of Metabolic Syndrome and Type 2 Diabetes Mellitus on Prostate Cancer. Frontiers In Cell And Developmental Biology, [S.L.], v. 10, 25 mar. 2022. Disponível em: https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fcell.2022.843458/full. Acesso em: 29 jul. 2022.

INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER. Estatísticas de câncer. Disponível em: https://www.inca.gov.br/numeros-de-cancer. Acesso em: 29 jul. 2022.

FEDERAÇÃO INTERNACIONAL DE DIABETES. Atlas de Diabetes da IDF. 10. ed. Bruxelas, Bélgica: 2021. Disponível em: https://www.diabetesatlas.org. Acesso em: 29 jul. 2022.

FENG, X. et al. The association of diabetes with risk of prostate cancer defined by clinical and molecular features. British Journal Of Cancer, [S.L.], v. 123, n. 4, p. 657-665, 29 maio 2020. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32467600/. Acesso em: 29 jul. 2022.



Editoria Biobalance

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